A Ilha de Lanzarote

Tenho uma relação especial com ilhas. Já faz algum tempo. Acho que por conta da ideia. De saber onde começa e onde termina um pedaço de terra. Parece besta, mas conhecer limites é fundamental para se conhecer. E isso serve tanto para ilhas quanto para todo mundo.

Costumo dizer que um dos problemas do Brasil é não se conhecer. Saber seus limites. Suas bordas. Sua extensão. Não temos esta noção internalizada. Esta ideia. Qual o tamanho do Brasil? Gigante. Mas o quanto é gigante? As praias conhecemos bem. Mas para dentro, em direção às fronteiras da parte de dentro do continente, é estrada que não acaba mais. Qual o tamanho do sertão? Grande. Qual o tamanho da floresta? A maior do mundo. O tamanho das nossas coisas não é real. É uma imagem. Uma ideia. Em geral grande. Continental. Mas comparada a quê?

Quando a gente viaja sempre faz comparações. Os costumes, os serviços, os valores. Por exemplo: Lanzarote. É uma ilha pequena, com 140 mil habitantes. Vulcânica. Não possui fontes naturais de água potável. Chove em média 20 dias por ano. A água aqui é contada. Tudo é medido pela quantidade de água consumida por ano. Um turista. Um local. O cultivo de um produto. Uma cabra. Um camelo. Uma planta no jardim. A dessalinização da água do mar é fundamental para a sobrevivência da população e do turismo. Além do comportamento quanto à utilização do recurso e das políticas locais relacionadas à empresa que explora todo o ciclo da água na ilha. (aos interessados vale conhecer o caso)

Estou aqui a uma semana. Uma semana de sol. De praia. Um pouco de literatura e muito papo furado. Aqui de qualquer lugar um pouco mais alto você vê o fim da ilha, o mar. As pedras e a terra são pretas. Vieram de dentro da terra. O céu é sempre azul (quase, 20 dias lembra). Um lugar árido. Norte da África. Sem árvores. Só uns poucos arbustos e vegetação rasteira. Se vir uma árvore, sabe que foi plantada por alguém. Como os coqueiros que enfeitam as praias. E as poucas coisas que plantadas se desenvolvem aqui são resilientes. Onde os limites são claros. E existem uma grande beleza nisso.

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