Tânger

Quando embarquei para Nova York em outubro do ano passado o Tânger definitivamente não estava nos meus planos de viagem. Mas a vida dá voltas. Os caminhos confluem. Na semana passada peguei um barco de Tarifa, no sul da Espanha, para esta cidade fantástica. A porta de entrada para o norte da África. Alguns lugares do planeta são grandes pontos de conexão. Espalham cultura. Misturam coisas. Influenciam gerações e gerações de artistas. Este é um deles.

No meu caso, veja como as coisas se conectaram ao Tânger. Em Nova York, nas colagens do Matisse, diversas menções da temporada do artista na cidade. Em Detroit, fugindo da cidade fantasma com a Tilda Swinton em “Only Lovers Left Alive”. Em Lisboa, Sintra, Sevilha, Madrid, todas cheias de traços marroquinos, afinal Portugal e Espanha tem laços fortes com o norte da África. E provavelmente vou continuar encontrando um pouco do Tânger por onde passar. Várias histórias e lugares onde estive nestes meses me levaram a este lugar. Até na playlist de músicas, com Bob Dylan cantando “If You See Her, Say Hello” (“…she might be in Tangier”).

Na cidade uma mistura de cheiros, gostos, línguas diferentes. E claro, aquela explosão visual de cores. Nos lenços, sapatos, roupas, portas, janelas, telhados, placas, lojas. N mercado, tive a nítida impressão de estar no meu querido mercado central de Belo Horizonte. Na Medina, poderia estar na 25 de março em São Paulo. No café, me senti na década de 40, num daqueles filmes de intrigas políticas e espionagem durante a segunda grande guerra, quando a cidade era uma zona livre internacional.

Vendo as luzes da cidade à noite refletidas nas águas do porto fiquei tentando me lembrar em que momento decidi que iria ao Marrocos e o porquê. Realmente não me lembro como nem onde me decidi. Era para ser. Depois, você pensa que não poderia ter deixado de ir. Assim. Just because.

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