Liderança e influência em tempos de redes sociais

São 7:00 da manhã e estou vendo o vídeo abaixo e pensando na beleza das formas que os pássaros fazem nestas revoadas. Já estou acordado desde as 6:00 tentando colocar em poucas palavras uma longa discussão sobre liderança, influência, movimentos de massa e redes sociais, que tive ontem à noite.

Misture a isso os assuntos: mídia ninja, visita do Papa, políticos que não representam as pessoas, e infelizmente, ou felizmente, duas garrafas de vinho. Dificulta um pouco isso aqui. Outra xícara de café, forte e sem açúcar. Vamos começar pelo básico.

“Liderar é inspirar, motivar e animar ideias, pessoas e projetos. Desse ponto de vista, liderança é a capacidade de elevar para melhor uma condição coletiva. É por isso que não se deve confundir liderança com chefia. Chefes são ligados à hierarquias e não são os responsáveis por elevar uma equipe para o melhor, diferente do líder, que implica nessa elevação e busca constantemente isso.”

Prof. Mario Sergio Cortella

Gosto desta definição sobre liderança, pois ela abrange não só a questão prática e individual, mas também as questões ideológicas e coletivas. E ela ecoa muito bem nos tempos atuais, onde as hierarquias tem se tornado cada vez mais anacrônicas. A liderança, no sentido de vanguarda, tem dado espaço a um tipo de liderança por influência. O líder não é mais aquele posicionado à frente, mas aquele capaz de influir no movimento do conjunto como um todo. A posição não importa muito. A capacidade de conexão com o grupo sim.

Influência é a capacidade de influir, de mover, de alterar a forma como outros agem (e pensam). Num conjunto interconectado todos os indivíduos tem influência no movimento do todo. Vou tentar exemplificar com uma analogia: é como se cada indivíduo possuísse um elástico que o une aos indivíduos mais próximos . Se ele se move numa direção, cria forças que puxam todos os outros nesta direção e alteram a forma do conjunto como um todo. Influência, neste caso, é ter elásticos mais tensos, é ter conexões mais fortes.

“My lack of faith in the men who lead us is that they do not recognize the irrational in men, they have no insight, and whoever does not recognize the personal, individual drama of man cannot lead them.”

Anais Nin

Em tempos de redes sociais e movimentos de massa (não só políticos, mas econômicos e comportamentais) entender como se formam estas lideranças que influenciam tantas pessoas é entender um pouco do que está acontecendo.

O que parecem ser grupos de manifestantes totalmente sem liderança ou propósito, uma grande revoada de pássaros, é na verdade uma grande rede de indivíduos conectados, por ideias, por redes sociais, por motivos comuns. Dentro desta rede novas lideranças surgem a partir de novas habilidades e características. A influência sobre a rede, a capacidade de movê-la em uma direção, é uma delas.

Aqui é quando a conversa degringolou em mídia ninja vs Papa e o contraste entre os dois tipos de liderança e influência. Passando por políticos atuais (de Dilma, Cabral e Paes a Alckmin, Garotinho e Haddad) e o quanto eles conseguem representar seus eleitores – uma dinâmica também ultrapassada. Até a cabernetsauvignonização do gosto por vinhos no país.

Mais uma xícara de café, puro, bem forte, sem nenhum açúcar.

Até a próxima.