Privacidade é o assunto de 2013

Com a revolução digital o assunto privacidade veio a tona com toda a força, pois ele está diretamente ligado às principais fontes de renda na internet e ao poder do controle de informações. Além disso, é um tema transversal a diversos outros. Do Lulu às biografias não autorizadas, passando pelo grampo à presidente Dilma e ao programa de monitoramento da NSA, ele esteve sempre presente.

Se você mora em um centro urbano, possui um smartphone e acessa a internet com frequência, você deve estar expondo dados pessoais na rede. Quem você é, o que faz, onde mora, o que consome, grau de instrução, contatos, locais que costuma frequentar, com quem costuma frequentar, a que horas, todas estas informações – estes metadados – são transferidos e armazenados em redes sociais, aplicativos, sites de serviços, browsers, etc. Eles são guardados em bancos de dados de empresas que pedem sua “autorização” para mantê-los e para utilizá-los em serviços mais personalizados, como uma busca mais acertiva e produtos do “seu gosto”.

Quais são as principais fontes de renda na internet: transações financeiras (compra e venda de produtos e serviços) e propaganda.

Num sistema em rede existem duas formas de conectar dois pontos A e B: ou A vai até B, ou B vai até A. No caso, sendo A e B comprador e vendedor, ou o comprador vai até o vendedor, ou o vendedor vai até o comprador. Para fazer com que o comprador vá até o vendedor se faz propaganda. Para o vendedor ir até o comprador ele precisa saber onde ele está, para bater em sua porta. Em ambos os casos, ter acesso a metadados de compradores é essencial para que B possa se conectar a A e efetuar uma transação financeira.

As pessoas expõe seus metadados por um motivo, querem usufruir dos benefícios da ubiquidade de produtos e serviços. Acessar o seu banco de qualquer lugar, falar com amigos e parentes em qualquer lugar do mundo, ter nas mãos quase todo conhecimento acessível, tudo isso tem um preço.

As organizações que operam com estes dados passam a controlar acesso a estes benefícios, e ganham enorme poder de influência com isto. A valorização de suas ações nas bolsas por todo o mundo demonstra claramente isto.

Os governos também se envolvem, afinal existe muito poder em jogo. Como foi o caso Edward Snowden – atualmente escondido em algum bunker na Sibéria. Ele apresentou provas de que o governo americano gasta milhões monitorando ligações telefônicas, emails e todo tipo de metadado transferido nas comunicações digitais de todo o mundo, e o fazem pelo valor estratégico das informações (seja em programas anti-terroristas ou para obter vantagens competitivas) e também porque podem, tem tecnologia e poder para fazê-lo sem a sua autorização (não vou discutir se é certo ou legalmente aceitável). Para saber mais sobre este caso, acesse este belíssimo especial do jornal inglês TheGuardian que faz um overview do assunto.

Todos querem um pedaço de sua privacidade, afinal ela tem valor. E esta discussão não se trata de direitos ou de dinheiro, ela é sobre poder.