A moda dos cursos online

Os cursos online estão na moda. Tem sido cada vez mais frequente nas minhas timelines a presença de publicidade de escolas de criatividade, de empreendedorismo, de cursos online. Agora por exemplo, abro minhas redes sociais (Facebook, Twitter, LinkedIn) e vejo os anúncios que me aparecem: cursos para descobrir oportunidades de empreender, cursos para organizar as finanças (talvez eu precise deste, deixa eu dar uma olhada), para aprender a fotografar, aprender um idioma novo, virar um cineasta, enfim. No e-mail, mais uma infinidade de opções oferecidas para um público alvo – eu, no caso – que consome este tipo de produto. Ótimo. Trabalho neste mercado desde 2006 e nunca vi um boom tão grande como este. E num país como o Brasil, com uma demanda por educação imensa em todas as áreas de conhecimento, a tendência é mesmo de expansão deste tipo de oferta. Mas vamos analisar melhor o porquê disto estar acontecendo agora.

Os custos de produção nunca foram tão baixos.

Com um smartphone, um microfone e um computador você captura e edita vídeos de ótima qualidade. Não sabe como editar um vídeo? Você pode aprender no youtube, ou fazer um curso online para isso. Conteúdos em vídeo são um exemplo de como os custos de produção de cursos online estão reduzindo. E existem diversos profissionais e empresas especializados no mercado.

Plataforma de aprendizagem e grupos em rede sociais.

Com diversas opções de plataformas online para disponibilizar seu curso online, ou a possibilidade de fazê-lo numa plataforma própria open source, este é um custo que também não é mais um impeditivo. Com a utilização de ferramentas de comunicação e grupos em redes sociais é possível suprir várias funcionalidades que estas plataformas gratuitas não disponibilizam e complementar o processo de aprendizagem interagindo com os alunos, dando feedback e mantendo-os engajados.

Modelo de negócio escalável.

Um curso online, depois de pronto, pode ser distribuído para um grande volume de alunos.

Um curso online não é um produto, mas sim um serviço.

Apesar de escalável, gosto de ressaltar que um curso online não é um produto, mas sim um serviço. Não é algo que você entrega fechado, pronto. É uma experiência de aprendizagem, que acontece entre o aluno e o conteúdo (aqui inclusos plataforma e professor). Um curso de qualidade transforma esta experiência em algo vivo, atrativo, inspirador. Um curso de qualidade conecta o aluno a outros alunos, facilita e tira dúvidas online, mostra como aquele conhecimento pode ser aplicado no dia a dia.

O interesse de marcas e de outros mercados pelo formato.

Ações como a Academia da Carne da Friboi mostram como o formato pode ser utilizado por marcas para engajar clientes com um conteúdo de qualidade. Bancos, teles, empresas de vendas e varejo, já utilizam este formato de conteúdo em suas estratégias de marketing. E este interesse não é só da área de marketing. Já vi ações principalmente de pós-venda, de SAC, utilizando o formato.

O calcanhar de Aquiles: O como fazer.
a experiência de aprendizagem.

Um curso online não é apenas conteúdo organizado e disponível numa plataforma. Para ele ser efetivo e gerar aprendizagem, precisa de estratégia na formatação, na organização dos conteúdos, na entrega, na utilização de ferramentas e plataformas, e no contato com o aluno. Tem de saber fazer.

Em todo o mundo o calcanhar de Aquiles dos cursos online é o engajamento do aluno (taxas altas de evasão). É por tratar o curso como produto, e não serviço, não como uma experiência de aprendizagem, que cursos online não dão o resultado esperado. Entender como construir uma experiência de aprendizagem do início ao fim, da organização do conteúdo á estratégia educacional, é o fator chave para reverter este cenário.