O que aprender com House – 5 dicas de gestão de equipes

Não é segredo para ninguém – e agora menos ainda – que sou um grande fã da série de TV “House”. Diálogos inteligentes, temas delicados abordados nos capítulos e arcos, um anti-herói clássico, e vários casos intrigantes para serem desvendados por um tipo de Sherlock Holmes da medicina.

Não dá para negar que o Dr. Gregory House é um personagem ranzinza, arrogante, insensível e muitas vezes estúpido. O médico e o monstro. Não tenho a intenção de dar dicas sobre como ser um gestor como o House. Até porque, como diz o próprio personagem, é preciso merecer todos estes predicados.

Porém me interessa bastante a forma como ele monta suas equipes durante a série e cultiva o trabalho de cada um. Seu estilo de gestão, por mais inortodoxo que seja, possui características interessantes. Vejamos 5 características deste estilo de gestão nestas dicas:

1. Compartilha a inteligência do projeto.

Esta dica é o coração do trabalho do House: a arte do diagnóstico. Tudo começa com sintomas que indicam a existência de uma anomalia. Estes são analisados de forma a montar um diagnóstico de possíveis causas, a partir da avaliação do paciente, do que ele sente e do contexto do caso. Este diagnóstico é validado com análises clínicas e de respostas aos tratamentos destes sintomas. Muita vezes os tratamentos tem de ir se adaptando à evolução dos sintomas. Geralmente um diagnóstico só é conclusivo após todo este processo.

Toda a equipe participa do processo de diagnosticar a necessidade. Os personagens crescem como profissionais e aprendem com o Dr. House neste momento. Durante o processo as atividades de conversa com o paciente, de coleta e análise de exames, de aplicação de um tratamento, são delegadas. Porém o processo de inteligência do caso é compartilhado.

2. Não acredita no óbvio. Questiona.

Uma das características do Dr. House é seu ceticismo. E ele transforma este ceticismo em uma ferramenta essencial na busca por diagnósticos corretos. Esta dica tem aplicações tanto práticas quanto mais amplas.

Práticas no que se refere ao processo de briefing, de levantamento de dados e relatórios, de avaliação de resultados. Questionar é a melhor forma de aumentar o entendimento que se tem de algum dado ou informação – de onde ela veio, de quem, em que contexto, com qual finalidade. Criar um ambiente onde se possa questionar abertamente as escolhas, os dados e as informações de cada caso – cada projeto – é essencial para buscar diagnósticos corretos – resultados.

Mais amplas no que se refere ao contexto do mundo corporativo atual, onde tratamos com sistemas de informação cada vez mais complexos. Neste contexto, respostas óbvias, processos “by the book”, metodologias engessadas, são extremamente duvidosas.

“Todo mundo mente.” – Dr. House

3. Conhece as motivações pessoais dos membros de sua equipe.

No seriado, cada personagem possui uma história complexa, que lhe motiva a trabalhar com o Dr. House. E ele trabalha sua relação com cada médico de forma diferenciada, cobrando, incentivando, desafiando, motivando, de acordo com este motivo maior, esta aspiração.

A escolha das pessoas para a montagem de cada equipe deve levar em conta este critério, e o entendimento das motivações direciona em muito o trabalho de um gestor. Atenção: as motivações raramente são financeiras. Geralmente envolvem vocação, status profissional, facilidades.

“As pessoas escolhem os caminhos que as dão as maiores recompensas com o menor esforço.” – Dr. House

4. Desafia a capacidade profissional de cada um.

Não raro o Dr. House cria uma competição entre membros da equipe pelo diagnóstico mais acertivo. E geralmente “Foreteen” está correto :). Mas ele não os desafia apenas desta forma. Faz questão de os colocar em situações difíceis – como a de dar más notícias a pacientes – e de questionar cada uma de suas escolhas.

O processo de evolução profissional pede por desafios, pelo inusitado, por obstáculos. Parte da função de um gestor de equipes é criar estes obstáculos, e não retirá-los ou facilitá-los para que sejam facilmente transponíveis.

“Sem competição, ainda seríamos organismos unicelulares.” – Dr. House

5. Não cria “cerimônias” demais.

Vou usar como exemplo aqui as reuniões de trabalho, mas pode se aplicar para vários outros tipos de formalidades ou solenidades. Se você também acha que reuniões periódicas de gestão são pouco produtivas: atenção! House não costuma agendar reuniões – nem com sua equipe, nem com sua superior (Dra. Cuddy), nem com ninguém. As reuniões para discutir os casos acontecem – claro em todos os episódios – mas elas ocorrem sob demanda, ou seja, quando e onde são necessárias. Se existe um problema – um caso – a equipe se reune e discute possíveis diagnósticos e tratamentos para os sintomas apresentados.  Isso pode acontecer em um corredor do hospital, na sala do House, no refeitório, junto com o paciente – repito: onde e quando são necessárias.

“House não quebra regras. Ele as ignora.” – Foreman

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Things to learn with House – 5 tips about team management

It’s not a secret to anyone – specially now – that I’m a big fan of the TV series ¨House¨. Intelligent dialogues, sensitive topics discussed through chapters, a classic anti-hero, and several intriguing cases to be solved by a kind of Sherlock Holmes of medicine.

It can´t be deny that Dr. Gregory House is a grumpy, arrogant, insensitive and often ignorant character. The doctor and the monster. I have no intention of giving tips about how to be a manager as House. Even because, as the character says I have to deserve all these predicates.

Although interests me a lot the way how he assembles his team during the show and how he cultivates the work of each one. His style of management, even though unorthodox, has interesting features. Let’s see 5 features of this way of management:

1. Share the Project Intelligence.

This tip is the heart of House’s work: the art of diagnosis. Everything starts with a symptom that indicate the existence of an anomaly. The symptoms are analyzed in a way of creating a diagnosis of possible causes, from the patient evaluation, what he feels and the context of the case. This diagnostic is validated with clinical analysis and answers to the treatment of these symptoms. Most of the time the treatments must to adapted to the evolution of the symptoms. Usually a conclusive diagnostic is only possible after the process. The whole team participates of the process of diagnosis the need. The characters grow up as a professional and learn with Dr. House on this moment. During the process the activities of talking with the patient, the collection and analysis of test, the application of a treatment are delegated. However the process of intelligence of the case it is shared.

2. Does not believe in the obvious. Questions.

One of the characteristics of Dr. House is his skepticism. He transforms this skepticism into an essential tool in the search through the right diagnoses. This tip has applications both practical and wider.

Practices regards to the process of briefing, of collection and report of data, of evaluation of results. To question is the best way of increase the understanding about a data or information – from where it came, from whom, in which context, for what purposes. To create an environment where is possible to openly quests the choices, the data and the information of each case – each project – it’s essential to search for the right diagnostics – results. It can be broader in relation to the actual context of the corporate world, where we deal with systems of information increasingly complex. In this context the obvious answers, the process by the book, plastered methodologies are extremely dubious

3. Knows the personal motivations of your team.

In the TV Show each character has a complex history that motivates to work with Dr. House. And he works the relationship with each doctor in a different way, demanding, stimulating, challenging, and motivating, according to this main reason, this aspiration.
The choice of each member to integrate the team should be considerate by these criteria, and the understanding of these motivations directs a lot the work of manager. Attention: the motivations are rarely financial. Usually involve vocation, professional status, facilities.

4. Challenges the Professional capacity of each one.

It’s not rare Dr House to create a competition between the team’s members for the more accurate diagnosis result. And usually ¨Foretten¨ is right . However he does not challenges them only this way. He issues to putting them through difficult situations – as to give the bad news to patients – and of questioning each one of their choices. The process of professional evolution asks for challenges, for the unusual, for obstacles. A part of the function of a team manager it’s to create these obstacles and not to remove them or make them easy to overcome.

5. Does not create too many ceremonies.

I’m going to use as an example here the meetings but it can also be apply to many other kind of formalities or solemnities. If you also think that regular management meetings are unproductive, be aware! House does not usually schedule meetings, not even with his team or with his directors (Dra. Cuddy) and with anyone. The meeting to discuss a case happens – in every episode of course – but they do occur on demand, i.e. when and where they are needed. If there’s a problem – a case – the team meets and discusses the possible diagnoses and the treatments to the presented symptoms. This can occur in a hospital hallway, at House’s office, at the cafeteria, with the patient – I repeat: where and when it’s need.

See you next time.