Snowfall no Brasil

Neste último mês de setembro, a Folha de São Paulo publicou um “caderno” online especial sobre a crise da água no melhor estilo “Snowfall”. Hoje, o UOL começa a publicar o TAB, um conteúdo também no mesmo estilo. Considero estes os primeiros casos realmente bem planejados deste tipo de jornalismo no Brasil e espero que estejamos inaugurando aqui também uma nova era na forma de apresentar histórias longas em nossos meios de comunicação online – principalmente em tempos de TL;DR (Too Long; Didn’t Read – Muito longo, não li).

Estilo Snowfall

Não sei como isto irá ser chamado no Brasil, mas lá fora este termo já é utilizado até como verbo: to snowfall. Snow Fall foi uma reportagem marcante publicada pelo The New York Times contando a história de uma avalanche brutal em Cascade Mountain, publicada em 2012 e que ganhou inúmeros prêmios (um Pulitzer inclusive). Desde então as matérias online publicadas com este tipo de tratamento – grande utilização de elementos multimídia entremeando e ajudando a contar a história – tem sido rotulado como “estilo Snowfall”.

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Exemplos de matérias no estilo Snowfall

Vou listar abaixo apenas as minhas histórias preferidas. Como provavelmente você não terá interesse por todas as histórias ou assuntos – ou tempo para ler -, recomendo que pelo menos veja como cada tipo de elemento multimídia e interativo ajuda a contar uma parte da história, seja um depoimento, um gráfico, um mapa interativo, um audio.

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Out in the Great Alone – ESPN 

 

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Firestorm – The Guardian

 

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NSA Files Decoded – The Guardian

 

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68 Blocks – The Boston Globe

 

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Mumbai Madness – DW Deutsche Welle

 

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Invisible Child – The New York Times

O que aprender com o estilo snowfall de contar histórias

O online tem revolucionado o jornalismo. Novas formas de contar histórias, algumas mais curtas e diretas – estratificadas ou ao vivo, outras mais longas e se utilizando de camadas de profundidade e diferentes mídias. Novas ferramentas, novos processos, novas metodologias, levaram todo um mercado a ter de se reinventar – dai uma curva de aprendizado e um processo de mudanças digamos difícil.

Mas algumas coisas podemos notar em comum nestes exemplos de boas histórias online, com camadas de interesse e profundidade, que servem de guideline para incursões neste caminho.

Uma boa história
Primeiro, precisamos de uma boa história. Não bastas efeitos visuais, mapas interativos, vídeos super produzidos, se sua história não tem profundidade.

Camadas de profundidade
Depois, é preciso entender os níveis de profundidade da história e qual a melhor forma de apresentá-la ao leitor/usuário. E pensar no tempo que o usuário percorre cada caminho. Não é como escrever uma matéria. É muito mais como escrever um roteiro.

Diferentes caminhos de leitura
Dar liberdade para o leitor/usuário percorrer seu ”melhor caminho”, aprofundando onde for de seu interesse e mesmo assim capturando o significado da história a ser contada. Aqui o roteiro precisa ganhar uma estrutura de diversas narrativas, mais próximo de um game do que de um filme.

Ambientação
Utilizar-se da capacidade de ambientar o leitor/usuário na história, seja numa montanha prestes a ser varrida por uma avalanche, no meio de um incêndio, numa grande metrópole, através de elementos audiovisuais e de recursos narrativos apropriados. Aqui é quando o look and feel realmente contribui para a história.

Pontos de vista
Utilizar-se da capacidade de mostrar diferentes lados e visões sobre um mesmo tema. Esta talvez seja uma das grandes mágicas para contar uma boa história e é onde o online ganha contexto e relevância.

Aguardo ansioso os próximos capítulos desta história para ver se este estilo ‘pega’ por aqui.
Mais alguns exemplos aqui:

The Fall of the House of Tsarnaev – The Boston Globe
Human Cannonballs – L’Equipe
Michael Jordan Has Not Left The Building – ESPN